Resumo
Faz-se uma comparação entre a fauna de foraminíferos encontrada sobre restos de espongiários colectados em biohermas actuais da plataforma continental da Columbia Britânica, Canadá, e as associações conhecidas em recifes de espongiários do Jurássico superior da Europa central e meridional. No total, encontraram-se 40 táxones de carapaça aglutinada e 53 de carapaça calcária, tanto soltos como fixos no interior dos esqueletos ou incrustados no seio dos mesmos. Os espécimes soltos pertencem às espécies que se encontram nas lamas circundantes ou na vizinhança da plataforma. Os géneros mais comuns dos outros tipos são Crithionina, Gaudryina, Karreriella, Placopsilina, cf. Tritaxis, Trochammina, Islandiella, Lobatula e Ramulina. Descrevem-se e ilustram-se dois novos táxones: Placopsilina spongiphila n. sp. e Ramulina siphonifera n. sp. Os principais géneros fixos ou em associação estreita com os recifes de esponjas do Jurássico são: Vinelloidea, Thurammina, Tolypammina, Tritaxis, Subbdelloidina e Bullopora. A comparação entre as associações actuais e as Jurássicas indica que não existem táxones comuns ao nível de espécie e existindo poucos ao nível de género. No entanto, parece que uns e outros interagem com os restos de esponjas de forma similar: fixos, presos, encaixados e em certa medida incrustados nos esqueletos. Muitos nichos ecológicos com esqueletos das esponjas mortas parecem ter permanecido essencialmente inalterados desde o Jurássico, substituindo-se apenas os táxones extintos pelos actuais.
Palavras-chave: recifes, foraminíferos bentónicos, evolução convergente, Canadá, Columbia Britânica, Europa, Hialosponjas, espécies incrustantes, epifauna.
Tradução: Octávio Mateus (PhD) & Carlos Natário, Museu da Lourinhã & Universidade Nova de Lisboa, Rua João Luis de Moura, 2530-157 Lourinhã, Portugal